Melbourne Shuffle: Tradição VS Evolução

Posted by | Posted in Marcelo Souza, Melboure Shuffle | Posted on 22-07-2010

Melbourne Shuffle Evolução da Dança Melbourne Shuffle: Tradição VS EvoluçãoOntem eu vi na comunidade Melbourne Shuffle uma discussão sobre as modificações pelas quais o estilo tem passado nos últimos tempos e todos os possíveis prejuízos e vantagens que isso traz ao estilo. O artigo de hoje é para falar exatamente sobre isso, sobre modificações, copias, adições, sobre o velho embate da Tradição VS Evolução.

O que segue abaixo é a minha opinião, portanto não tende a ser um guia único ou o ultimo fio de verdade na face da terra sobre a Dança Eletrônica em geral ou sobre o Melbourne Shuffle e as suas diversas modificações, portanto, se você discorda fique a vontade para criticar, mas se vai criticar o faça com argumentos sólidos e sem palavrões, xingamentos ou ofensas pessoais.

TRADIÇÃO VS EVOLUÇÃO:
A primeira coisa que gostaria de dizer é que eu sou a favor da tradição em um estilo, e aposto que eu não sou o único. Eu conheço a importância da evolução e ela já se mostrou valiosa em muitas situações, como no caso do Break Dance, que nasceu apenas com um passo e acabou, por motivos de competição entre duas cidades e duas “tribos” ganhando diversos outros passos, como FootWorks e Freezes, e posteriormente os Power Moves.

Por outro lado, mesmo com a total modificação do Break Dance, os  B-Boys e os juízes que organizam campeonatos ao redor do mundo não perderam de vista a tradição. Ainda hoje um B-Boy que não domina aquilo que com o passar do tempo ficou marcado como a base, os fundamentos do estilo, não tem a mínima chance de ganhar nenhuma batalha.

Em uma competição de Break a primeira coisa que os juízes querem é ver a sua identidade, o seu cartão de visitas, a sua marca, e o que é? O seu Top Rock. Se um dançarino entra na roda para uma batalha e sai fazendo Power Moves ou mesmo FootWork antes de mostrar um pouco do seu Top Rock, pode acabar perdendo pontos.

Para pontuar bem ele deve ainda apresentar a sua base como B-Boy, aquilo que define se ele é ou não um B-Boy é o fato de ele dominar o conjunto Top Rock, FootWork e Freeze. E é exatamente aqui que vence a tradição e a base do estilo. Não adianta nada você, como disseram na comunidade, meter passos de C-Walk, HardStep, FreeStep, JumpStyle ou mesmo um milhão de passos próprios se você não conhece a base, se não a domina e não a usa com maestria enquanto dança.

Você, de maneira alguma sobre a face da terra pode ser chamado de B-Boy se entrar para uma batalha e fizer apenas Power Moves ou movimentos próprios. E é assim que deve ser visto não apenas o Break, como também o Melbourne Shuffle ou qualquer estilo de dança.

Claro que a dança evolui, isso é obvio e não podemos negar. Mas evolução leva tempo, vem com tradição e de forma natural. Mesmo o B-Boyg que nasceu de uma competição entre duas tribos para ver quem tinha o melhor estilo de dança acabou parando em um ponto d a tal evolução e mantendo as suas bases como sendo a sua identidade.

O Melbourne Shuffle já passou pela sua evolução, como citado no artigo sobre a evolução da dança. Ele, assim como o B-Boyng, nasceu com apenas um passo e ao longo do tempo foi ganhando suas adições e adquirindo uma identidade. Ele chegou a um ponto em que passos como  Running Man, T-Step, Kicks e Spins são a sua base e aquilo  que todo e qualquer aspirante a dançarino deve dominar antes de querer inventar.

O grande problema com a dança hoje em dia é o fato de supostos dançarinos saírem adicionando, “criando”, “inventando e em alguns casos até mesmo copiando passos de outros estilos e enfiando no meio de algo que eles nomeiam como Melbourne Shuffle, isso antes mesmo de eles dominarem a base, o essencial do estilo. Você não aprende a ser um B-Boy se começar pelos Power Moves, você não começa aprender Forró jogando a garota pra cima antes de aprender o dois pra um lado e dois pra outro, você não aprende a escrever se nem sequer consegue falar e é isso que deve prevalecer no caminho para o seu aprendizado.

Portanto, é a tradição, são as bases que definem um estilo de dança. Não se trata de dançarmos todos da mesma maneira, mas de aprendermos a base e colocarmos a nossa identidade nessa base. Já existe um estilo no qual podemos adicionar tudo o que der vontade, ele se chama FreeStyle. Afinal a tradução literal é Estilo Livre. Não se trata de criar regras, não se trata de querer saber tudo ou ser dono da verdade. Trata-se sim de saber o que você dança e o porquê de você dançar. Você dança Melbourne Shuffle porque dança Melbourne Shuffle ou dança Melbourne Shuffle porque quer aprender FreeStyle?  Se a sua resposta for a primeira, reveja seus  conceitos, se fora a segunda, então  aprenda Melbourne Shuffle, HardStep, JumpStyle, TeckTonik, Break Dance, misture tudo isso e quando alguém lhe perguntar o que você dança não responda  Melbourne Shuffle e sim FreeStyle.

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